“Esse filme é de você” conta Jared depois da exibição de ADTLOA no Tribeca Festival

O documentário “A Day In The Life Of America” estreou no Tribeca Film Festival em 27 de abril de 2019.

Com a ideia de que Jared sempre sonhou em fazer um álbum como o America, este foi a sua grande inspiração para elaborar e lançar esse documentário em comemoração a independência dos EUA.

E como de costume com todos os documentários do festival, Jared concedeu uma pequena conversação com o público depois da exibição do mesmo, conversação esta que você pode conferir na tradução em português feita pela nossa equipe abaixo do vídeo a seguir. Confira:

Jared: Sim, somos apenas nós aqui. O filme tem personagens interessantes, certo? Como gosta dos seus vizinhos?

Apresentador: Gostaria de começar com o que você mencionou na introdução: de onde veio a ideia do filme, sobre o livro “A Day In The Life America”. Você poderia nos contar mais sobre o que te interessou exatamente na sua infância?

Jared: Eu acho que fiquei viciado na ideia de usar criatividade e arte para entender melhor a cultura e a sociedade. Quer dizer, quando criança, essas fotos simplesmente me cativaram… Eu aconselho a todos que se familiarizam com esses livros. Porque mesmo agora é incrível como um criador, um fotógrafo, mostra algumas coisas inesperadas que na maioria das vezes não vemos na vida cotidiana, mostra lugares que você ainda não visitou. Eu amo assistir isso.

Eu acho que isso é exatamente o que eu gosto no documentário. Leva você a lugares diferentes, cantos do mundo ou vidas humanas nas quais você não esteve. Eu não sei… Eu gosto disso… Mas, obrigado a todos por assistirem o filme e virem. Isso é muito importante para mim e sou muito grato.

Eu sei que há algumas coisas no filme que eu pessoalmente discordo. Mas, novamente, me pareceu importante dar às pessoas o direito de falar e sentir quem somos, quem são nossos vizinhos e o que é a America. Tente criar uma imagem precisa da nação neste momento realmente turbulento e importante.

Eu assisti a um filme com todo mundo e queria passar mais tempo com alguns deles. Eu me pergunto quem você mais gostou e quem menos gostou.

A: Como você já disse, vivemos em um momento turbulento e sentimos as contradições entre as pessoas. Houve algum momento em particular quando você percebeu que precisava fazer esse filme?

Jared: Bem, começou com música. Tudo começou com um álbum. Eu toco em uma banda, talvez alguns de vocês não saibam sobre isso. Há alguém com menos de trinta anos aqui? Ótimo! Eu pensei que você teria mais, não sendo rude. Eu tenho 47 anos, então eu posso brincar com isso.

Então… acho que o álbum me inspirou. Eu sempre quis fazer esse álbum… engraçado, mas tive a ideia de fazer um álbum por muito tempo, viajar pelo país, conversar com as pessoas e depois escrever músicas sobre lugares e histórias que ouvi. Mas aconteceu na ordem inversa: nós escrevemos o álbum e no meio do processo eu disse: “Talvez este seja mesmo o álbum sobre a América que eu sempre quis fazer.”, depois disso, este filme companheiro e muitas outras coisas malucas apareceram. Eu pedi carona pelo país. Mas isso é outra história…

Talvez alguém tenha dúvidas? Eu acho que vale a pena perguntar, porque esse filme pertence à vocês! Se alguém tiver uma pergunta, pode gritar bem alto. Esse cara de jaqueta de couro.

Rapaz da plateia 1: Oi Jared! Você se lembra de mim?

Jared: Sim cara, como vai você?

Rapaz 1: Bem… eu sou metade afro, metade italiano. Meu pai morreu há algumas semanas.

Jared: Sinto muito por isso.

Rapaz 1: Obrigado… Eu conheci meus pais quando tinha uns 6 anos de idade. Minha mãe é do Harlem, como eu disse, ela é afro-americana. Eu cresci cercado de amor de ambos os pais, mas os pais do meu pai são italianos e eles não aprovavam o costume dos meus pais. Na quinta-feira velamos o meu pai e falei com um velho amigo dele que o conhecia desde os seis anos de idade. E eu sempre quis me comunicar com minha avó e meu avô. Um amigo me contou uma história sobre como meu pai queria seu perdão por não fazer o que eles queriam. Ele foi até ao meu avô porque ele estava morrendo, e seu amigo tirou uma pistola e afastou seu pai quando ele só queria apertar a mão… As pessoas não entendem… Que essa dor passa por gerações. É só… Você sabe, eu só queria dizer isso.

Jared: Eu agradeço por você compartilhar isso. Eu simpatizo com sua perda. É interessante assistir a um filme com pessoas pela primeira vez. Algumas coisas surgem, são percebidas de maneira absolutamente diferente do que antes. Em termos emocionais. Algumas vezes fiquei animado com os momentos que não causavam essa impressão antes. Algo parecia ridículo para mim enquanto outras pessoas estavam rindo. Uma troca peculiar de experiência. É por isso que é ótimo ter uma plataforma em que você possa compartilhar seu trabalho dessa forma, para vivenciá-lo coletivamente. Este é um momento muito especial. Suas palavras são muito importantes para mim. Alguém mais tem alguma pergunta? Garota de suéter listrado.

Moça 1: Olá. Primeiro de tudo, parabéns pelo filme. Foi lindo.

Jared: Obrigado.

Moça 1: Eu quero perguntar, por qual critério você selecionou o material que foi incluso no filme?

Jared: Boa pergunta! Nós tivemos… eu não consigo nem dizer quantas centenas de horas de vídeo. Estávamos cheios de material. Nós poderíamos ter feito um filme muito mais longo. Foi muito difícil decidir o que incluir e o que não. Tantas histórias incríveis. Quando você faz um filme, essa é a parte difícil do processo: o que incluir, o que remover.

Mas foi interessante ver pessoas com quem você discorda. Por exemplo… Eu realmente não concordo com o Sr. Bêbado com uma arma, mas eu realmente gostaria de passar algum tempo com ele! Bem, você entende! Podemos mostrar mais uma vez ou algumas vezes? É disso que eu gosto no filme. É também é um lembrete de que você não precisa concordar com todos em tudo para simplesmente se comunicar, conviver junto, ser amigo. Eu acho que esse é um ponto muito bom.

Mas é muito difícil! Nós tivemos muito material. E 10 mil pessoas nos enviaram seus vídeos. Nós tínhamos 92 pessoas na equipe e a maior parte do material… Eu diria que 95% do filme foram aproveitados de materiais dessas 92 pessoas. Porque a qualidade de filmagem foi melhor, o enredo é mais cru. Mas você viu algo de material diferente no final, nós o recebemos através de redes sociais e assim por diante. Quem mais? Vamos ouvir mais algumas perguntas, mostre-se!

Auditório 2: Este filme foi simplesmente incrível. Ele me fez entender muitas coisas sobre aqueles que moram perto, o quão sortudo eu sou por ter o que tenho. Sei que você pediu a pessoas de todo o mundo para enviarem um vídeo sobre o que pensam sobre a América e o que é importante para elas. E me pergunto o que as pessoas ​​de fora dos Estados Unidos disseram sobre o país em que vivemos. Como suas opiniões concordam ou discordam do que experimentamos.

Jared: Para dizer a verdade? Você provavelmente pode imaginar. Sim, eu pedi a pessoas de todo o mundo para enviar seus pensamentos, porque eu queria incluí-lo no filme. Você sabe, você precisa perguntar aos vizinhos sobre o que eles pensam sobre você, para obter uma imagem precisa do que você é. Mas no final não o usamos. Nós nos limitamos a tirar materiais de dentro do país, exceto os quadros da estação espacial no final. E o que foi tirado das notícias e do rádio também é material real.

Como eu disse, enquanto assistia, pensei: “Uau, isso tudo foi em apenas um dia”. E isso é apenas a ponta do iceberg. Tanta coisa está acontecendo neste país… Mas o material que nos foi enviado de outros países foi rude e honesto. Sim, foi interessante. Quem mais? Talvez perguntar a alguém aí do fundo? Quem está aí trás? Sim, a garota, a mais alta e mais impaciente.

Auditório 3: Parece que é eu! Oi!

Jared: Oi!

Auditório 3: Parabéns pelo filme!

Jared: Obrigado!

Auditório 3: Absolutamente incrível. E agradeço pelo fato de que, acredito, você mostrou com muita precisão os sentimentos da sociedade muçulmana. Foi muito importante para mim.Eu tenho uma pergunta para você: o que você aprendeu de todo esse processo? Você obviamente já viu muita coisa na vida e tem muita experiência. O que foi uma lição para você?

Jared: Você sabe, mais uma vez lembrei que a ideia não tem valor até que seja implementada. E este filme tem sido uma ideia há muito tempo. É muito engraçado ver como isso se tornou realidade. Preparar, montar uma ótima equipe e fazer alguma coisa. Adoro contar histórias, gosto de criar coisas e compartilhá-las com o mundo. Este é apenas um ótimo processo! Eu sempre apreciei isso e estou feliz que finalmente aconteceu. É ótimo assistir esse filme juntos, eu tirei muitas novidades, sentando aqui e assistindo com vocês. Isso me ensinou muito. Agora vou pegar esse filme e disseca-lo completamente. Eu vou fazer… você sabe, apenas cinco minutos de episódios para o Instagram. Acho que temos tempo para mais uma. Quem tem a melhor pergunta aqui? Que tal esse cavalheiro grisalho? Ele mereceu isso. Ele vai atirar em mim agora, olha!

Espectador 4: Dá para ouvir?

Jared: Eu ouço você.

Espectador 4: Ótimo. Eu cresci no meio-oeste, onde as pessoas ainda moram nas ruas, onde há muita violência. Você mostrou a maior parte do filme em luz negra. Você realmente viu apenas isso ou decidiu não incluí-lo no filme?

Jared: Não, nós estávamos bastante otimistas. E eu acho que está no filme. Mas você sabe, nós não pedimos para as pessoas falarem sobre coisas ruins. Sabíamos exatamente quais eventos queríamos fotografar, com quais pessoas queríamos passar tempo, mas não ditávamos a eles o que dizer. Nós não ditamos o ponto de vista. Como você pode ver, visitamos todos os estados do país. Nós não evitamos nenhum lugar. Sim, muito à luz negra, mas encontrei uma parte incrível de otimismo. As pessoas disseram: “Sim, agora estamos na merda, mas eu ainda tenho certeza que podemos lidar com isso!” Isso é incrível!

Eu acho que é o que realmente importa sobre a América. O sonho americano ainda está dentro de nós. Essa ideia de trabalhar bem, render-se ao trabalho de uma pessoa, com a ajuda de nossos amigos e parentes, tudo é possível. Isto é o que eu fiz no filme. Mas muitas pessoas são realmente difíceis neste país. E eu acho que isso é o que vemos. Mas eu não escrevi o roteiro! Estou apenas passando a mensagem! Então, este é realmente o seu filme. Eu apenas mantenho um espelho. Com a ajuda de outras 92 pessoas.

Obrigado a todos! Obrigado pela sua pergunta! Não se esqueça dos Prêmios de Espectador. Vote mesmo se você odiar esse filme! Agradecimentos especiais a “Interscope” e Emma Ludbrook.

ATENÇÃO: A CÓPIA TOTAL OU PARCIAL DESTE ARTIGO É TERMINANTEMENTE PROIBIDA.

Tradução: Equipe Jared Leto Brasil

Publicado por Bianca em 13/jul/2019

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