Jared conversa com o Huffpost

Jared concedeu uma entrevista com o site Huffpost.com sobre Blade Runner, a qual falou sobre seu personagem no filme, sobre a essência do filme original e a sequência que ele participa e o grande mistério sobre a relação de Wallace com Deckard, e ainda confessou ter tido ataque de ansiedade por causa de um clipe do Mars. Confira:


Ele ou não é?

Se o personagem “Blade Runner” Rick Deckard (Harrison Ford) é um humano ou não, tem confundido e intrigado o público há 35 anos. O próprio Ford nos diz que a questão da humanidade de Deckard compõe o próprio “tecido” do que é “Blade Runner”.

O ator registrou que ele acredita que Deckard é um humano. O diretor de “Blade Runner”, Ridley Scott, por outro lado, disse que Deckard é um replicante, também conhecido como um Android. Hoje, parece que nenhum deles tem a última palavra.

Essa decisão ficou para Jared Leto.

Leto, que conta que o original “Blade Runner” é um de seus filmes favoritos, interpreta o “vilão” Niander Wallace na sequência do filme de 1982, “Blade Runner 2049.” Dirigido por Denis Villeneuve, “2049”, estreou nos cinemas no início deste mês, trazendo Ford de volta à saga em seu papel original.

Em uma cena em “2049”, Wallace traz Deckard para sua sede por razões que são muito spoiler para mencionar. Wallace é cego, mas ele é capaz de ver através de câmeras aéreas especiais que aparentemente transmitem informações diretamente ao seu cérebro, e ele usa essas câmeras para escanear a mente de Deckard.

Por causa desta cena, Leto diz que o diretor lhe deu o poder de determinar se Deckard é humano ou não.

“Denis me deu um excelente presente”, disse o ator para o HuffPost.

“Eu vejo dentro de Deckard, e [eu perguntei] ao Denis, ‘Bem, o que eu vejo?’ E ele faz uma longa pausa e disse: ‘É sua decisão.’ Então, de forma divertida, além do próprio Deckard, eu posso ser a única pessoa que sabe.'”

O ator continuou: “[Denis] disse: ‘Você pode decidir. Depende de você.'”

“Eu sei que Ridley tem uma opinião. Harrison tem outra. Denis tem outra. Mas ele me disse, já que eu sou a pessoa que realmente escaneia seu cérebro e olha dentro dele, então eu posso tomar a decisão, agora eu consigo segurar esse segredo comigo”, disse ele.

Leto tomou a decisão?

“Oh, sim”, ele nos contou.

Essa resposta estaria na próxima sequência?

“Eu tenho certeza que sim”, disse ele.

O ator nos contou mais sobre o processo de filmagem de “2049” e o que ele pensa sobre Villeneuve comparando-o com Jesus.

H: Nós sabemos que você não assiste aos seus filmes, mas você disse que você é um grande fã de “Blade Runner”. Você vai assistiu a este? 

Jared Leto: Sou moderado, então provavelmente não seria tão doloroso essa experiência. Não deveria dizer isso – doloroso. Há razões muito lógicas para eu não assistir os meus filmes também. Você tem uma experiência de fazê-los e pode ser realmente bonita, e você não quer mudar isso. Você também não quer se conscientizar. Você não quer se imaginar atuando por outra visão, se algo funciona ou não. Não sei se é mesmo uma boa informação para se ter, porque se funcionar, você deve repetir, e se não, talvez não tenha funcionado por causa do contexto. Mas funcionaria em outra situação. Eu tenho tendência a ficar longe da auto-avaliação.

H: Como seu personagem é cego no filme e você usou lentes de contato para que você também estivesse cego, como foi atuar com Harrison Ford e não poder vê-lo?

JL: Tive essa sorte porque, se eu estivesse vendo seu rosto, provavelmente precisaria de uma fralda ou eu simplesmente teria ficado assustado. De qualquer forma, acho que ajudou. E ele foi tão paciente, generoso e solidário. Ele tinha tanta fé em mim e foi tão gentil. Isso não acontece sempre. Eu não tenho a oportunidade de falar com as pessoas sobre um filme e dizer esse tipo de coisa o tempo todo. É uma experiência realmente especial.

H: Quando seu diretor viu você caminhando no set, ele comparou isso como “Jesus entrando em um templo.” Qual a sua reação ao ouvir isso?

JL: Eu acho que diz muito sobre Denis e quem ele é, diz sobre o grande coração que ele tem, quanto ele se importa e na confiança que ele tem nas pessoas ao seu redor. Esse é um grande presente a todos, não apenas aos atores e aos cineastas. Ele realmente é uma pessoa especial. Ele é um gênio e eu o acho um dos melhores diretores da história do cinema.

H: Você usou as lentes de contato, mas você também disse que você não “mergulhou profundamente” para esse papel. Por que? É uma resposta a todas as manchetes exageradas sobre a sua atuação com o Coringa, a qual você disse que era falso?

JL: Eu trabalho do meu jeito porque eu quero fazer o melhor trabalho que posso para os outros atores, para o diretor, para o escritor, para o estúdio, para o público e eu faço o que é necessário para tentar entregar o meu melhor. E nem sempre entrego. Eu falo isso miseravelmente o tempo todo. É por isso que você recebe muitas tomadas.

H: Então você não deve ser muito difícil consigo mesmo.

JL: Bem, quero dizer, acho que é simplesmente a verdade. Eu erro mais do que a maioria. Eu tento e experimento muito, mas junto a isso vem o fracasso, e isso não é tão ruim assim. Você aprende com isso. Isso te ensina muito. Te encoraja e inspira a fazer o melhor, mas certamente muita coisa foi tirada do contexto. Eu entendo o porquê. É animador. Essas histórias podem assumir uma vida própria, mas acho que algumas dessas coisas, é melhor nem sequer falar sobre. Basta deixar as pessoas aproveitarem o trabalho, mas eu digo, tanto com o Coringa quanto em “Blade Runner”, eu tive o tempo da minha vida. Funções da vida e algumas das melhores experiências de atuação que já tive. Eu me diverti nesse tempo com a família “Blade Runner” e foi absolutamente fantástico.

H: Nós ouvimos que seu papel era para o David Bowie ou inspirada nele. Como é interpretar isso?

JL: Uma absoluta honra. O filme todo é brilhante, trabalhar com Harrison Ford e ter esses monólogos com um dos meus heróis no set, trabalhar com um gênio como o Denis, um mestre artesão como Roger Deakins, com um roteiro fenomenal que era uma Bíblia incrível e o elenco incrivelmente talentoso que eu absolutamente adoro. Robin Wright, que é uma inspiração vê-la dando o seu melhor e mais emocionante atividade de sua vida, e ela sempre fez um trabalho emocionante, mas vê-la continuar a fazer isso é simplesmente uma inspiração para atores em todos os lugares. E Ryan Gosling, que eu sempre amei, para mim, como ator, observando-o de longe, o quão intenso ator ele é, dramático no estilo de Sean Penn que ele tem e começou a mostrar ao mundo esse outro lado, este lado cômico, é simplesmente incrível. E é tão incansável fazer o que ele faz, de ser o cara mais engraçado nas telonas ao cara mais dramático. Isso na verdade não é fácil.

H: Isso é algo que você gostaria de fazer?

JL: Com certeza. Mas não sou engraçado. Sou tão engraçado quanto um funeral. Eu sou engraçado em um concerto do Thirty Seconds to Mars, só porque sou ridículo. E sou mais engraçado de se ver, provavelmente, com o que eu visto, mas estou feliz em fazer as pessoas rirem, mesmo que seja às minhas custas.

H: Falando no Thirty Seconds to Mars, qual foi o motivo da inspiração de “O Iluminado” para o clipe “The Kill”?

JL: Só porque fiquei obcecado pelo filme. Esqueci qual era, mas eu tinha dois clipes [ideias]. Um tinha a ver com a ideia de identidade e várias versões de você, seu doppelganger, e o outro era “O Iluminado”. E eu apenas as juntei. Lembro que foi engraçado. Foi em 2006. Finalmente, tivemos uma música que estava dando certo após anos e anos. Era “The Kill”, e eu dirigi o próprio clipe. A gravadora nos largou, estava tudo sendo montando nesse clipe… e voltei ao corte inicial e pensei ter arruinado nossa carreira. Foi a pior coisa. Eu o assisti e meu coração estava acelerado. Estava suando frio. Nunca tive essa resposta com nada. Foi um ataque de ansiedade e então eu peguei e reeditei tudo, reeditei e trabalhei nisso durante um mês, e continuei trabalhando e então tudo se encaixou. Transformou-se em algo que mudou nossas vidas.

Isso é surpreendente.

Outra lição de falha de Jared Leto.

Fonte: huffpost.com

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Publicado por Bianca em 20/dez/2017

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