Entrevista: Jared conta que uma assistente da sua antiga agência o salvou no início da sua carreira

Jared concedeu uma entrevista para o Awards Chatter da THR no podcast da Apple onde a maior parte do tempo ele falou sobre o início de sua carreira, detalhes sobre como entrou para o mundo do entretenimento, almejando ser diretor mas acabou sendo ator e tomou gosto pela coisa.

Você pode ouvir o podcast clicando AQUI. Fizemos um resumo em pt-br da entrevista que está muito legal, foi interessante saber com detalhes alguns aspectos da vida do Jared, isso ajuda a conhecê-lo melhor. Confira o resumo abaixo.

A TRADUÇÃO PARA O PORTUGUÊS DESTA ENTREVISTA É PROPRIEDADE DA EQUIPE JARED LETO BRASIL, SE REPOSTAR, POR FAVOR NOS DEÊM OS CRÉDITOS, É UM TRABALHO QUE DEMANDA TEMPO E DISPOSIÇÃO E GOSTARÍAMOS QUE RESPEITASSE, OBRIGADO.

Sobre a pandemia ter impactado na rotina de Jared e de Thirty Seconds To Mars: “Fazer turnê é uma parte muito importante de nossas vidas, mas nessa pandemia a vida tem que continuar da forma que conseguimos adaptar.”. O apresentador perguntou ao Jared se as constantes mudanças quando era criança impactou no que ele se tornou hoje. Ele responde “Sim, com certeza causou um grande impacto no que eu sou hoje. Isso faz parte da minha vida e as decisões que eu tomo. Quando somos crianças não percebemos a necessidade que temos, crianças são um grande exemplo que você percebe que elas apreciam as coisas mais simples da vida. Então acho que é uma boa lição para levar com você.”. Ele acrescenta, ” Criatividade sempre esteve comigo, especialmente a música. Quando você não tem muito dinheiro, a criatividade é a sua ferramenta e se torna uma rotina. Pode usar de diferentes maneiras. Criatividade pode ser uma opção, é meio que uma forma de se sentir preenchido e elevar a si mesmo. Sempre quis ser um artista, então a arte foi meio que um caminho natural para mim. A escola de arte, eu não sei como achei, mas eu sabia de fato que queria entrar lá. Sempre fui obcecado por Nova York, acho que por causa de Andy Warhol e outros grandes artistas. Eu pisei lá a primeira vez por volta de 87/88 e você fica ‘meu deus, eu estou em NY mesmo, nessa década'”.

Jared explica como seguiu a carreira de ator sendo que queria ser diretor. “Sempre quis ser diretor mas os materiais para trabalho sempre foram muito caros então meu grande plano era arrumar emprego como ator para conseguir ser diretor. Não estava interessado pela outra parte das telas como musicais ou melodramas, quer dizer, eu acho lindo todas esses materiais e variações, mas nunca foi algo que eu realmente quis. Atuar não estava nos meus planos quando mais novo, mas eu amo filmes, ir ao cinema e ver quantas pessoas aparecem para assistirem os filmes. A maior parte do meu tempo estou fazendo música, ela sempre esteve lá.”.

O apresentador pergunta: O que te fez sair de Nova York e ir parar em Los Angeles?

“Naquela época eu estava em NY e fui para LA no verão. Suponho que eu tinha um colega de quarto em NY e ele me deixou no último minuto e eu fiquei meio que em choque. Acho que essa palavra ‘flake’* não existia ainda, era usada somente na Califórnia. Enfim, no último minuto ele me deixou e eu disse ‘Foda-se’, não para ele, mas disse ‘Foda-se, irei para a Califórnia mesmo assim.’, isso meio que me colocou na linha o que eu achei ótimo, essa foi uma parte importante da jornada. Cheguei lá, acho que em 90/91. Eu tinha apenas uma mochila e alguns dólares no bolso. Eu me lembro de chegar no aeroporto e não fazer a menor ideia para onde ir. Então dirigimos para a praia porque é o primeiro lugar que as pessoas pensam em ir quando chegam em algum lugar. Então dirigi do aeroporto para Venice Beach e me lembro de ver todas aquelas pousadas e achei um tanto selvagem. Mas acabei dormindo na praia, eu basicamente era um sem-teto lá. Eu não tinha muito dinheiro para hotel. Então encontrei um hostel na estrada de Venice, e era um lugar sujo mas eram apenas 2 ou 3 dólares por noite, entrei no meu quarto, coloquei minha mochila no chão e então uma voz atrás de mim disse ‘Você é meu colega de quarto?’, parecia a voz do Sparma, e eu virei, tinha um cara sentado nu em uma poltrona. Mas talvez ele fosse o cara mais único que eu já conheci na vida, ele apenas era um cara diferente. Então eu tomei um banho, peguei minha mochila e fui para Santa Mônica. Procurei um hostel para alugar e eu me lembro que isso era algo que eu nunca tinha ouvido falar antes.

Em meio a tanta dificuldade financeira e jogar-se a si mesmo no abismo do destino, o apresentador ficou intrigado e perguntou ao Jared Como ele conseguiu um representante para conseguir aquele papel em My So-Called Life? Porque quando você é um ator independente que está iniciando sua carreira, mesmo que precise fazer comerciais, precisa de alguém que o represente. Jared diz, “Bom, eu tinha ido para Nova York e então retornei para Los Angeles. Eu dei a mim mesmo duas semanas para conseguir um agente. Porque se eu não conseguisse um agente em duas semanas eu seria um completo fracassado. Eu não tinha percebido o quão difícil era mas eu estava tão motivado. Eu acabei achando um agente, depois eu deixei essa agente para conseguir um outro agente legítimo ou melhor, eu apenas tinha muita paixão e perseverança. Faz muito tempo e eu quase não me lembro dessas coisas. Tive muita rejeição, enfim. Havia outro programa, era uma sitcom de sábado de manhã, sem desrespeito mas quando você é apaixonado por filmes independentes, não é exatamente isso o que procura. Então eu pensei ‘Devo aparecer para a audição?’, e meu agente ficou tipo ‘Você faz audição para tudo, está brincando? Comece a trabalhar, é isso o que você tem que fazer!’, então fui encorajado por esse alerta. Fiz a audição para essa sitcom e não consegui o papel, mas consegui uma pequena participação. Mas se você for para uma audição e você conseguir, você tem que fazer. E depois havia outro programa acontecendo em um pequeno espaço de tempo, era apenas um piloto de My So-Called Life. Então era fiquei entre uma temporada garantida em uma sitcom de sábado de manhã ou entrar nessa série de qualidade de pessoas criativas de 30 e alguma coisa. Então cheguei para a audição dessa 30 e alguma coisa série, eu nem mesmo li o roteiro inteiro para ser honesto porque eu estava muito ocupado e não queria me vincular a isso, eu cheguei nessa audição e não senti algo especial. Eu tinha uma participação garantida e estava fazendo audição para outra coisa. Meu agente disse ‘Bom, esse é o fim, você tem que decidir.’, e uma assistente dessa agência me ligou e disse ‘Escuta, terei problemas com isso mas eles realmente gostaram de você para essa série e eu não acho que você deva fazer essa sitcom, você tem se segurar em caso disso acontecer porque temos claramente um vencedor aqui.’, e eu tomei esse alerta. Eu esqueci o nome dela, eu gostaria muito de lembrar e agradecer. Nunca nos vimos pessoalmente, nunca conversamos, mas ela realmente me deu um presente.”, ele continua sobre a fama que o acompanhou depois da série, ele claramente não estava acostumado com isso, “Pessoas que eu vi dizerem mais não para entrevistas do que sim, mas a rotina da fama tornou-se transparente, é quase que bobo para jovens rejeitarem isso porque antes da criatividade ser rotina, a fama é claramente uma rotina agora. Se você é incrivelmente talentoso e tem essa rotina, você consegue mais oportunidades apenas por ser talentoso e isso as vezes é uma triste verdade. Mas não se preocupe com isso, talvez seja um pouco triste, mas está tudo bem em apenas ser inteligente e fazer algumas coisas também. Pra mim, eu me senti desconfortável, era difícil para mim. Naquela época eu disse a mim mesmo que se alguém aparecer e querer algo de mim eu entraria em uma situação de mutualidade. Não acho que seja saudável deixar isso te corroer. Eu não sei, alguém me disse isso, mas nunca me fez bem.”.

Sobre Prefontaine ter sido seu primeiro filme como protagonista: “Honestamente, eu me lembro de ter feito The Last Of The High Kings, é um filme irlandês. E eu falei com sotaque irlandês durante três meses porque eu realmente queria fazer o melhor trabalho possível. Eu me lembro quando o filme lançou e saíram críticas na TV irlandesa, eles me mencionavam como ‘Esse jovem ator irlandês’, e eu fiquei orgulhoso disso. Talvez eu soasse terrível, mas esse é o prêmio que vem depois de três meses de comprometimento. Em Prefontaine, como você podia ser um corredor? Você precisa fazer isso por si mesmo. E eu não era um corredor de jeito nenhum. Mas me tornei um, teve uma transformação física, tentei modelar sua voz conversando com sua família. Foi uma grande responsabilidade interpretar uma pessoa real.”

Sobre a sua pequena participação em The Red Thin Line: “Terrance Malick é um gênio, ele teve essa ideia de que se eu morresse logo nos primeiros minutos do filme, o público saberia que ninguém estaria salvo. Então ele quis alguém para esse papel que convencesse o público a seguir essa história e apenas aconteceu de eu estar lá. A grande coisa sobre isso é que que todos eles tinham que sofrer naqueles campos militares horríveis e eu pulei isso. Eu meio que fiz o oposto. Eu pulei porque minha cena seria gravada muito tarde e eu estava lá por uma ou duas semanas. Eu tinha essa cena e eu falei para eles ‘Ta bom, eu faço a cena’, mas meu outro lado honesto e bravo disse, ‘Mas eu ficaria hiper animado se tiver uma cena com Sean Penn’. E muitas pessoas não sabem que eu trabalhei com Sean Penn porque essa cena foi cortada do filme. Eu não acho que eles planejavam ter essa cena, talvez eles tenham feito só para me deixar feliz. A cena era eu sentado na montanha com Sean Penn, obviamente um mestre da atuação, ele estava improvisando e conversando sobre a bíblia, me perguntando coisas, estávamos tendo esse momento na montanha. Foi muito bonito, muito íntimo. Foi uma experiência bonita e eu ficaria grato se fizesse parte do filme.”.

Sobre Fight Club: “Trabalhar com Fincher foi genial, ele é um mestre. Esse filme é uma obra de arte, é um retrato em potencial. Eu me lembro de me reunir com os atores e olhar para aquele monitor e ver o quão incrível aquela cena foi, não sou uma pessoa que revisa cenas mas você tenta ver um pequeno pedaço do playback. Eu não acho que vi algum playback até aquele momento. Mas acho que foi a primeira vez que trabalhei com próteses o que gerou uma grande mudança física em mim. Assistir Brad em cena foi incrível.”.

O que ele lembra sobre Alexandre, O Grande: “Em Alexandre o cabelo foi um um grande problema. Não o meu cabelo, mas o cabelo de Alexandre, tiveram algum problema com isso que eu não consigo me lembrar qual mas é o que me lembro. Não tenho nada a ver com o retorno financeiro desse filme, eu apenas tive uma pequena participação, atuei, novamente falei com sotaque irlandês por meses. Por alguma razão eu estendi o sotaque irlandês para o britânico, não me lembro porquê. Mas me lembro de Marrocos, Tailândia. Me lembro das aventuras durante as filmagens, eu realmente me apaixonei pelo deserto. Eu me lembro de estar em Marrocos durante alguns meses e realmente pensei em ficar lá porque é realmente lindo. Aprender a andar e cavalo, seria divertido.”

Anos depois, Jared mal saberia que um de seus heróis iria apreciar o seu trabalho e o agradecer por isso. “Uma vez quando estava em Nova York Sean Penn chegou em mim e disse que eu fiz um bom trabalho em Chapter 27, não o conheço como gostaria, não somos próximos, ele veio como alguém que apreciou o meu trabalho.”.

Jared desistiu de um filme com Clint Eastwood para se dedicar a turnê que o Mars faria junto com Audioslave na época. “Eu não tenho muitos filmes grandes no meu currículo, eu desisti de um filme com Clint Eastwood porque estava comprometido em fazer turnê para abertura de shows de quatro bandas, acredito, e ser pago U$ 50 dólares por noite e foi a melhor decisão que já fiz, por causa do comprometimento, o que foi muito necessário, nós construímos nosso sucesso pela estrada como uma banda. 30 Seconds To Mars se tornou algo que não esperávamos, esses passos foram muito importantes.”.

O apresentador fala para o Jared sobre a vez em que uma pessoa o questionou em um evento por aceitar o papel de transgênero sento hétero, então Jared convidou essa pessoa para ter uma conversa franca nos bastidores, Jared comentou “São tempos diferentes, conversas diferentes estão acontecendo, acho incrível que essas conversas sobre igualdade e representatividade estejam acontecendo, eu apoio tudo isso completamente. Sempre fui informado, estive rodeado de diferentes tipos de pessoas desde quando era criança, pessoas que vivem suas vidas de diferentes maneiras nunca me chocou. Fui exposto a todo tipo de pessoas durante a minha vida e me considero sortudo por isso. Acho que as coisas estão indo para um boa direção e me sinto orgulhoso de ter a oportunidade de fazer parte desse filme. Acho que no final do dia eu me sinto muito grato e sortudo pelas pessoas que me ajudaram ao longo desse processo, me dedicando e engajando, apoios necessários, sempre serei grato por isso.”.

*Flake: gíria americana para quem promete fazer uma coisa e não cumpre.

Publicado por Bianca em 10/fev/2021

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