Entrevista: Jared Leto mostra seus personagens mais icônicos

A TRADUÇÃO PARA O PORTUGUÊS DESTA ENTREVISTA É PROPRIEDADE DA EQUIPE JARED LETO BRASIL, SE REPOSTAR, POR FAVOR NOS DEÊM OS CRÉDITOS, É UM TRABALHO QUE DEMANDA TEMPO E DISPOSIÇÃO E GOSTARÍAMOS QUE RESPEITASSE, OBRIGADO.

The Thin Red Line: Me traz muitas memórias. Acho que Terrence Malick, que é um gênio, o cara que fez dois filmes e desapareceu por 20 anos, o qual você apenas tem respeito. Você tem que respeitar alguém que “Sim, vou me aposentar e perseguir outros interesses e meio que viver a vida.”, quero dizer eu levei 6 anos de folga. Não posso dizer que levei 6 anos e folga, a maior parte do tempo estava em turnê. Mas Terrence fez dois dos meus filmes favoritos, um se chama “Badlands” e o outro “Taste Of Heaven”. Eu me lembro da audição para o filme e talvez tenha sido a pior audição que já fiz. Eu lembro de entrar no escritório e tinha uma mesa virada no canto e suponho que tínhamos que atirar com munições imaginárias um no outro, fingindo estar em uma guerra. Eu acho que faz sentido se você fizer teste para um filme de guerra mas eu não pude fazer isso, não sei. Apenas não consegui o programa, então eu levantei no meio da audição e fui pulverizado por essas balas imaginárias então eu parei e disse: “Apenas não consigo.”, eu estava tão envergonhado. Provavelmente eu era apenas muito ingênuo como ator em oferecer isso naquela sala. Talvez eu não era bom o bastante ou algo assim, e cai fora. Eu disse “Não posso fazer isso, não sou o cara.” e por alguma razão Terrence me ligou, acho que nos conhecemos antes disso de um modo geral, e ele queria que eu fizesse parte desse filme. E o papel que ele queria que eu fizesse era a primeira pessoa a morrer. Ele disse “Se eu te colocar no filme e você morrer no começo, todo mundo que assistir o filme saberá que ninguém está salvo.”, eu não sei se ele queria só ser legal, mas o personagem era importante para ele. Quando eu estava no set, havia essas pequenas folhas que se fosse as tocasse, elas fechavam. E eu não me lembro se foi eu ou outro personagem, mas eu estava lá e próximo da câmera, não lembro se era o meu personagem ou de outra pessoa morrendo, só me lembro que ele viu uma dessas folhas próximas da cena e ele disse “Apenas alcance e toque a folha.”, e ela fechou como o personagem morrendo. Depois ele gravou em extremo close-up da planta ou algo assim. Não me lembro se isso foi pro filme, apenas me lembro de como ele estava consciente das coisas ao redor dele e da natureza.

Fight Clube: Me lembro quando os rumores estavam correndo que iriam fazer um filme desse livro controverso e David fincher ia dirigir. Não me dei conta de que foi apenas um ano depois de The Red thin Line, mas eram tempos especiais para filmes, meio que faziam filmes realmente desafiadores. Esses tipos de diretores-autores que apenas faziam trabalhos incríveis. Então esse foi algo que eu queria fazer parte. Me lembro de platinar o meu cabelo e sobrancelhas. Então estávamos caminhando e eu me lembro do Brad Pitt dizer algo sobre Billy Idol, ele disse “Loiro”, e ficamos ainda mais brancos com isso. Eu realmente me diverti no set porque eu assistia o Brad, quem é incrivelmente natural, sempre fazia algo um pouco diferente cena após cena e isso era interessante de ver. Todo mundo ali meio que entrávamos em algum problema e tínhamos que fazer alguma coisa potencialmente especial no lado sombrio do universo. Trabalhar com Fincher foi um sonho. Não mergulhamos tão profundamente nisso, pelo que me lembro, suponho que era para você lutar como se fosse lutar como um profissional, como o personagem lutaria. A única coisa que não era real era que na verdade não batemos uns nos outros, mas havia momentos você acertava. Não era uma perfeita coreografia. É um falso verdadeiro, sabe, as pessoas se atracando por todos os cantos. Mas foi um bom filme, cara. E as próteses no final, algo que nunca fiz antes, eu me lembro de estar super claustrofóbico. Eu dormi enquanto eles colocavam aquela coisa de gesso em mim, foram dois minutos, então eu acordei e estava dentro dessa coisa e não sabia onde estava, comecei a rasgar o gesso e correr por rua abaixo, apenas tive um ataque de claustrofobia. Eu evitei isso aqueles dias.

Requeim For a dream: Esse filme teve um grande impacto na minha vida e em minha carreira. Fazem 20 anos, é difícil acreditar. Estava falando com Darren Aronofsky esses dias e disse “Espera, alguém colocou as datas erradas? Isso é impossível.”, me lembro de conhecer esse jovem gênio Darren Aronofsky, ele fez esse filme chamado “pie”, havia um roteiro por aí escrito por Hubert Selby Jr. e Darren baseado no livro de Hubert, era um roteiro absolutamente deslumbrante. Brutal e emocionante, mas algo muito especial. Achei realmente difícil fazer parte desse filme e Darren me deu uma chance e sempre serei grato por isso. Me lembro de ir para NY, morar nas ruas e mergulhar profundamente e ficar próximo de algumas pessoas que conheci que viviam vidas similares a de Harry Goldfarb. Jennifer Connely, uma das melhores e Marlon, um dos mais engraçados e Ellen, uma lenda. Todos nós sentimos “Certo, é uma oportunidade de ver o que será se pressionarmos nós mesmos com força.”, e eu entrei em uma transformação corporal intensa para o papel. Eu queria que o personagem entrasse em constante estado de inanição de ânsia, de desejo, e a comida foi uma grande ferramenta para isso. E eu soube que essa seria uma boa representação física de alguém que vivia nesse mundo. Foi único porque acho que Darren precisou de seis semanas de ensaio ou algo assim, coisa que você nunca faz. Você tem sorte se tiver algum ensaio em um filme. Acho que ele ficou um pouco surpreso quando ele nos encorajou a mergulhar profundamente e eu mergulhei. Acho que ele não esperava que fosse tão longe, mas foi uma experiência bonita. Não existe método no mundo que possa fazer seu braço desaparecer. Acho que tenha, alguma manga verde ou azul e vestir isso é meio que um truque, não consigo me lembrar, mas é eficaz. E foi assim, haviam dias de estar cheio em lágrimas e dor, e outros dias estar cheio de esperança e sonhos. Acho que o Selby disse que o livro é sobre o sonho americano e como isso pode virar uma droga por si mesmo. Uma experiência angustiante. Me lembro de quase todos os momentos desse filme. É engraçado como certas coisas causam um grande impacto em você.

BônusChapter 27: [Mr. Nobody] É meio que meu filme secreto, a maioria das pessoas nunca ouviu falar sobre ele. Mas tinha um filme que eu fiz antes disso, o qual talvez deveríamos fazer uma notação especial, chamado Chapter 27, eu interpretei um cara chamado Mark David Chapman, quem infelizmente tirou a vida de John Lennon. Eu ganhei 37 kilos, estudei o personagem. Simplesmente uma pessoa perturbada, foi uma grande transformação física. Eu queria que alguém me parasse e dissesse, “Não, talvez uns 20 kilos está bom. Talvez algumas próteses.”, mas eu fui em frente e foi fascinante como ganhar 30 kilos causou mudança no jeito que eu andei, falei, mudou até o jeito que eu ria. Certamente eu estava irreconhecível. Lembro de chegar no Darren Aronofsky numa after party do Oscar e eu ainda estava com aquele peso para o filme, andei até ele na festa e fiquei cara-a-cara, e ele conhece bem a minha cara pois a filmou. Ele não me reconheceu, ele disse “Posso ajudar?“, e eu disse “Sou eu, Jared.”, e ele simplesmente caiu. Literalmente, ele escorregou pela parede até o chão com as mãos no rosto, ele não pôde acreditar que era eu, foi um truque engraçado de festa. Mas enfim, esse foi Chapter 27, um filme muito desafiador e sombrio, foi um grande passo de transformação e abordagem.

Mr. Nobody: É o meu filme europeu. Foi feito por uma equipe belga, Jaco Van Dormael era o diretor e ele é esplendorosamente talentoso. Foi uma experiência linda, um grupo de pessoas maravilhosas. Esse é um filme para os pensadores e filósofos por aí. É inebriante. Eu interpretei o homem mais velho do mundo, um homem de cento e vinte alguma coisa anos, eu interpretei várias versões da mesma pessoa, todos com caminhos paralelos se cruzando e descruzando. Quando eu interpretei o homem velho, realmente me senti em casa de um jeito estranho, estava totalmente em próteses, o time alemão fez um trabalho incrível com isso. Eu realmente mergulhei na interpretação do homem velho, foi muito engraçado. Parecia o meu avô, então acho que fizeram certo. Foram horas e horas, não serei capaz de fazer isso novamente porque eu fiquei muito claustrofóbico. Eles cobriram toda a minha cabeça, você não pode tirar isso se quisesse, minhas mãos ficam suadas quando penso nisso.

Dallas Buyers Club: Faziam cinco ou seis anos que não fazia filmes, então consegui o roteiro, estava no meio de uma turnê com o 30 Seconds to Mars, eu estava muito ocupado e as coisas corriam tão bem e eu pensei “Por que eu pararia isso agora e faria um filme?”, eu não estava com pressa de filmar. Não quero soar ingrato, mas meu irmão e eu trabalhamos para isso durante anos. Nós assinamos como banda em 1998, fazíamos demos e tocávamos muitos anos antes disso, então nós finalmente começamos a ganhar alguma tração. Acho que começamos a tocar em arenas há apenas um ou dois anos antes disso, em todo o mundo. E era como um sonho impossível de ter realizado. Quando o roteiro veio eu lembro de ler e achar muito especial. Me apaixonei pelo personagem e o desafio, a habilidade de aprender coisas novas e entrar em uma nova aventura. Me lembro das pessoas envolvidas e a equipe, dos lugares, de estar em New Orleans. Me lembro das pessoas que conheci que me ajudaram a me educar, me guiar, me aconselhar, me ensinar. O apoio, o amor. Me lembro de tudo isso. Claro que tem a outra fase do filme quando saiu e foi bem recebido, ganhamos prêmios. Esse é meio que o outro aspecto, mas fazer esse filme, novamente, foi imersivo e transformador, Jean Marc Valle é um diretor brilhante. Conheci o Matthew, ele estava fazendo um trabalho incrível. Me senti apenas feliz por ter uma pequena parte nisso, para ser honesto. Não sei atuar de outra forma a não ser me transformar. Todo mundo tem seu próprio método em graus variados, todos nós temos nossas metodologias. Eu meio que me afastei do termo ator metódico porque acho que se tornou uma conotação negativa. Só quero fazer o melhor trabalho que posso e ajudar a contribuir significativamente e ajudar a contar histórias, trazer o personagem a vida, ser alguém prazeroso para se trabalhar, ser gentil e generoso com outros atores. Tudo isso faz parte de um mesmo balde. Diferentes pessoas apenas tem diferentes abordagens, acho que as pessoas apenas fazem o que lhes fazem sentir confortáveis de fazer para contribuir de uma forma significativa. As pessoas trabalham demais para um filme, atores, diretores, equipe, pessoas investem dinheiro nisso. Então quando eu apareço eu penso “Nossa, é melhor eu não chatear ninguém.”, eu me lembro do processo, perdi muito peso. As pessoas começaram a me tratar diferente o que foi bom para o personagem. Foi surreal, até mesmo fora do set, acho que eu olhava para as pessoas e parecia que eu estava realmente frágil, provavelmente parecia que estava morrendo. Foi interessante ver como as pessoas encarava isso. É algo que você não imagina, você precisa passar por essa experiência para entender.

Suicide Squad: Caminhar com os passos do Coringa foi uma oportunidade incrível. Acho que é como pegar um personagem infame shakespeariano. Muitas pessoas interpretaram esse personagem antes e outras irão interpretar futuramente e essa é realmente uma oportunidade de fazer algo meio que novo e explorar territórios desafiadores. Nos divertimos com isso, o que também é interessante em como essas coisas ganharam vida por si só. Eu nunca dei um rato morto para Margot Robbie, isso não é verdade. Na verdade eu achei um lugar em Toronto que vendia bolinhos de canela vegano e dei muitos a ela, e isso foi algo muito comum. Me lembro de andar pelas ruas de Toronto a noite ensaiando minhas falas. Havia muita pressão quando você faz parte desses grandes filmes. Apenas esqueça o personagem por um segundo, quando você faz parte desses filmes gigantes, isso inerentemente vem com mais responsabilidades. Talvez não deveria e seja a minha culpa não filtrar isso. Mas a maioria dos meus filmes eram pequenos, Dallas Buyers Club foi um filme de 4 milhões de dólares, é um filme experimental em muitos aspectos. Mesma coisa com Mr. Nobody. Então isso foi um pule para um mundo completamente novo. Enfim, foi divertido, respeito e apoio mutual no set, apenas um sentimento de camaradagem. Eu me mantive separado deles porque senti que meu personagem é assim, mas foi ótimo ouvir todas aquelas risadas e a camaradagem, que tinha em abundância no set. Outra coisa que eu adorei no set era que na maioria das vezes eu atuei no escuro, sou um cara de filmes sombrios e interpreto personagens sombrios. Certamente não houve algumas risadas em Requiem, mas foi engraçado com o Coringa foi que ele dizia coisas estranhas o tempo todo. Eu podia ouvir a equipe morrerem de rir com as câmeras em seus ombros que balançavam enquanto isso. Isso era meio que uma tropa de entretenimento, e essa é experiência é algo que trago comigo em algumas coisas que faço.

Blade Runner 2049: É um dos meus top filmes. É um filme genial, eu me apaixonei pelo filme em VHS quando criança, assistia muitas vezes. Me ensinou muito sobre cinema e atuação, design, criatividade. Eu me lembro de receber uma ligação, Niander Wallace, e eu fiquei tipo “Ok.”. Assim que eu vi o nome do roteiro pensei “Nossa, é para isso que iremos?”, mal posso acreditar que estive em Blade Runner, para mim foi apenas… Agora eu sei que vivo em uma simulação, apenas incrível. Eu tive essas lentes de contato opacas, então não enxergava, o que foi ótimo porque eu não tinha que confrontar o problema de atuar. E eu tive um professor maravilhoso chamado Chris, que é cego, modelamos os meus olhos através dos olhos dele, ele é uma pessoa muito especial. Há muito dele na minha performance. Trabalhar com Harrison Ford foi um sonho. Não pude vê-lo, mas me lembro da sua voz e de segurar a sua mão por um minuto, foi ótimo. Nós finalizamos a cena, uma longa filmagem e muito intensa no dia, naquele escritório cavernoso, você podia ouvir sua voz ecoando pelas paredes, fizemos essa cenas muitas vezes, foi o meu primeiro dia no set. Nós finalizamos e me arrastaram para um canto e eu fiquei lá sozinho, e alguém veio até mim e me abraçou e me deu esse grande abraço, um abraço emocionante. Não tenho certeza porque eu não enxergava, mas eu senti que talvez houvessem lágrimas escorrendo, e era Harrison Ford, foi um momento muito especial e bonito. Acho que ele foi para algum lugar muito especial nessa cena, e fiquei muito feliz de estar lá com ele, assim como ele fez um ótimo trabalho em frente as câmeras.

The Little Things: Ficaria feliz em ver alguém vestido de Sparma no Halloween. Foi uma incrível transformação novamente, eu realmente queria trazer esse personagem a vida de uma forma espontânea. Sparma é um cara diferente, como percebemos pelo nome, tem um passado sombrio, é profundo. Fiquei animado em trabalhar com um dos meus heróis, Rami é um parceiro fenomenal nisso, foi explosivo.

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Publicado por Bianca em 14/fev/2021

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